Juntar essas bandas em um cd é muita ousadia, afinal de contas é "só barulho", certo? Não! Ouvir este disco todo é uma prova de coragem? Não. Para quem acompanhou a curta carreira do Jäzzus e se interessa pelos trabalhos dos meninos do Chuck Norris, isso é uma questão de (bom) gosto. O Jäzzus ajudou a dar uma engrenada na cena Vila Velha Noise Beach que há pouco tempo alastrou a cidade (e que recentemente foi detonada pelo metalcore e emo de franja). Chegaram tomando de assalto, fazendo barulho e incomodando nas letras. Vendendo noise a preço de power violence, simplesmente porque eles faziam música (?) sem saber como fazê-la. Aqui encontramos aquelas que foram as últimas (11) músicas feitas pela banda. Sendo que a obra divide-se em dois momentos de gravação e nota-se uma diferença musical em relação aos trabalhos mais antigos. O som continua rápido, porém há menos blast-beats, compensados com mais variações. O que não mudou foi a fúria dos vocais, extremamente agudos, rasgados às vezes mesclados com guturais. As letras continuam afiadas e com nomes extensos, uma verdadeira ode ao sarcasmo, apimentada com ofensas de primeira. Na sequência vem o Chuck Norris, chutando tudo e dando sequência nos samplers do Alborghetti, é "filho da puta" aqui, "sai daqui" ali tudo isso ao longo do disco. O que mais torna este split especial é o fato de que os caras do Chuck Norris nunca esconderam que o Jäzzus é uma de suas influências. Isso eu podia perceber na primeira gravação dos moleques que era mais crua e simples. Hoje eles superaram sua influência, melhoraram no quesito instrumental e soam até mais rápidos que o Jäzzus, haja definição de barulho para escrever o que se passa nas suas 10 faixas. A música aqui toma proporções mais extremas caindo mais para o lado do grind, coisa que o Jäzzus diminuiu em suas músicas. Isso dá uma diferenciada ao longo do disco e para quem entende de som, percebe que as bandas apesar de seguirem a mesma linha possuem suas diferenças. Ponto para as 2! Uma das coisas mais brutais neste disco é a participação de Bebe (Mukeka di Rato) em quase todas as músicas do Chuck Norris, um verdadeiro duelo de cachorros com o vocalista Chico. Mais um ponto para o spit e para as gravadoras (Läjä e Thrown into Disorder) que investiram aqui e nos trouxeram uma obra de hardcore/grind sujo, rápido e revitalizante, com um encarte espaçoso e completo. A arte ficou por conta do talentoso Francisco Félix de Curitiba, um cara que já desenhou capas para I Shot Cyrus, Infect, entre outras bandas e que cada vez se supera mais.